ACL

PORTFÓLIO COMPLETO (1956-2026)

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SOBRE A ACL

A Academia Campinense de Letras (ACL) existe para valorizar a língua portuguesa, celebrar a literatura nacional e preservar a cultura, especialmente a de Campinas.

Seguindo o modelo da Academia Brasileira de Letras, a ACL é composta por 40 membros vitalícios — escritores, intelectuais e amantes das letras — que se dedicam a promover a cultura e a história da cidade.

Nossa sede está de portas abertas para o público e para diversas entidades culturais, como a Academia Campinense Maçônica de Letras, o Centro de Poesia e Artes de Campinas (CEPAC) e a Casa do Poeta. Além disso, realizamos palestras, apresentações musicais, exposições de arte e premiações, sempre com o objetivo de incentivar a produção artística e literária. A Galeria Lelio Coluccini também faz parte desse movimento, sendo um espaço permanente para artistas plásticos campineiros.

O local também recebe eventos da Secretaria Municipal de Educação e de escolas da região, oferecendo um espaço propício para congressos, palestras e treinamentos.

A ACL reúne escritores e intelectuais de diversas áreas do conhecimento. “Temos entre os membros juízes, desembargadores, historiadores, antropólogos e muitos outros, todos com uma belíssima produção literária”, destaca a acadêmica e atual presidente Ana Maria Melo Negrão.

Todas as nossas atividades são abertas ao público. Venha nos conhecer e fazer parte desse universo literário!

FUNDAÇÃO

Fundada em 17 de maio de 1956, a Academia Campinense de Letras teve sua primeira reunião, assim como as nove seguintes, presidida pelo próprio idealizador Sampaio em uma das dependências da Secretaria Municipal de Cultura e Higiene da Prefeitura de Campinas, onde o Sampaio também era, na época, titular daquela pasta municipal.

Da primeira reunião, participaram: professor Francisco Ribeiro Sampaio (fundador e primeiro presidente da ACL), dr. Paulo Mangabeira Albernaz, dr. Theodoro de Souza Campos Júnior, prof. Armando dos Santos, sr. Heládio Brito, dr. Herculano Gouvêa Neto, prof. Stênio Pupo Nogueira, dr. Carlos Francisco de Paula, prof. Mário Giannini, dr. Valdemar César da Silveira e sr. Luso Ventura. O primeiro corpo de acadêmicos fundadores contou com os onze nomes aqui citados acrescidos de Benedito Sampaio, Monsenhor Emílio José Salim, Dr. Carlos Foot Guimarães, Dr. Antônio Leite Carvalhaes, Prof. José Roberto do Amaral Lapa, Dr. Francisco José Monteiro Sales, Dr. Edmundo Barreto, Dr. José Emanuel Teixeira de Camargo, Dr. Plínio do Amaral, Sr. José de Castro Mendes, Dr. Paulo de Castro Pupo Nogueira, Dr. Mílton Duartet Segurado, Prof. Francisco Galvão de Castro, tenente-coronel Waldomiro de Vasconcelos Ferreira e Sr. Celso Maria de Melo Pupo, Dr. Lycurgo de Castro Santos Filho, Sr. Rafael de Andrade Duarte, Dr. Camilo Geraldo de Souza Coelho, Sr. Sebastião Alvarenga, Dr. Francisco de Assis Iglesias, Dr. Nélson Noronha Gustavo Filho, Dr. Paulo da Silva Pinheiro, Prof. Adalberto Prado e Silva, Prof. Norberto de Sousa Pinto, Dr. Mario Erbolato, Prof. Guilherme Leanza e o deputado Ruy de Almeida Barbosa.

No mês de maio de 1956, além da primeira sessão, houve mais outras duas. No dia 24, o presidente Sampaio expôs os objetivos e o programa que se propunha desenvolver, salientando o alto critério a ser adotado na escolha de outros nomes, para que a Academia tivesse condições de sobrevivência.

SEDE

Em 1974, o ex-prefeito Lauro Péricles cedeu o terreno e o material de construção do prédio onde hoje está situada a Academia Campinense de Letras. O engenheiro Lix da Cunha, dono de uma empreiteira, realizou a obra sem custo nenhum – um presente para a ACL e para a cidade de Campinas. A sede própria foi inaugurada em 16 de maio de 1976, na Rua Marechal Deodoro, 525, no Centro da cidade de Campinas. Em 1995 foi criada a Galeria de Artes Lélio Coluccini, localizada na entrada do prédio.

ACL – 70 ANOS

Maio de 2026, marco de relevância lítero-cultural em Campinas: 70 anos da Academia Campinense de Letras-ACL. Desde o nascedouro aos dias atuais, consolidou-se como espaço de cultivo do Idioma Pátrio, difusão do saber literário, preservação do patrimônio cultural, incentivo à escrita e à leitura,  descoberta de novos talentos, guardiã da memória, sempre aberta à comunidade. Advinda do sonho visionário do professor de Língua Portuguesa e filólogo, Francisco Ribeiro Sampaio, docente do Colégio Culto à Ciência e da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, unido a intelectuais comprometidos com as letras, a ACL veio à luz, em 17 de maio de 1956.

Em 22.11.1956, pudéssemos transfixar o âmago de um ser, vislumbraríamos o coração de Francisco Ribeiro Sampaio inundado de júbilo pelo coroamento do projeto literário: sessão de posse da Academia Campinense de Letras, cabendo-lhe a presidência em mandato de 2 anos, registrada na foto histórica, nas dependências do Centro de Ciências, Letras e Artes. 

Em pé da esquerda à direita: Plínio Amaral, José Teixeira de Camargo, Francisco Ribeiro Sampaio, Carlos Francisco de Paula, Paulo Pupo Nogueira, Norberto Souza Pinto, não identificado, Benedito SampaioCelso M. Mello Pupo, Cel. Waldomiro Vasconcelos Ferreira e Guilherme Leanza.

Sentados 2ª. fileira: Paulo Silva Pinheiro, Stênio Pupo Nogueira, José Castro Mendes, Theodoro de Souza Campos Jr, Mons. Emílio José Salim, não identificados, José Roberto Amaral Lapa e Francisco Monteiro Salles.

1ª. fileira: Carlos Foot Guimarães, Mário Giannini, Heládio Brito, Antônio Leite Carvalhaes, Edmundo Barreto, Nelson Noronha Gustavo Fº, Camilo Souza Coelho, Herculano Gouvêa Neto, Milton Duarte Segurado e Francisco Galvão de Castro. (Acervo CCLA)

Seguiu o modelo da Academia Brasileira de Letras, com 40 cadeiras vitalícias, cada uma com seu patrono. As 10 primeiras reuniões deram-se na Secretaria Municipal de Cultura e Higiene, presididas por Francisco Sampaio, titular daquela pasta, instalada em dependência do Teatro Municipal.

E por que Campinense?  Francisco Sampaio ensinava que “campineiro” correspondia ao trabalho do homem no campo, da mesma forma que mineiro, o que trabalhava nas minas. Houve contendas pelo jornal: “Nasci campineiro e quero morrer campineiro”. Explicou que o sufixo “eiro” designava o labor como em padeiro, açougueiro, carpinteiro, e o sufixo “ense” referia-se à localidade onde alguém nasceu como amazonense, paraense, cearense… Campinense para referir-se a Campinas era o adequado. Venceu a gramática!

Nas 2 primeiras décadas, as reuniões davam-se em locais variados, até que, em  sessão de 20.04.1974, realizada no Salão Nobre do Centro de Ciências, Letras e Artes, o prefeito Lauro Péricles Gonçalves, presente ao evento, sentiu a premência de a ACL ter sede própria. A semente germinou. A obra sonhada pelo prefeito como um templo greco esteticamente belo foi construída pela Prefeitura Municipal. A fachada ostenta a Fênix a simbolizar o renascimento de Campinas dizimada pela epidemia de febre amarela.  Com 500 metros quadrados de construção, foi inaugurada em 16.05.1976.  A porta de entrada abre-se ao átrio ornado com o candelabro inglês doado pelo prefeito Lauro, com acesso às dependências do silogeu. O salão nobre tem 200 metros quadrados, móveis entalhados, mesa de 5 metros e cadeiras estofadas, ornado com 2 bustos em bronze, um de Camões e outro de Francisco Sampaio.

Ao longo de 7 décadas, a ACL se ergueu como templo vivo da palavra, onde o silêncio nunca foi ausência, mas gestação. Cada página escrita carrega o sopro de acadêmicos que não permitiram a caneta repousar inerte sobre o papel. Fizeram dela instrumento da inspiração em prosa e verso, a entrever memórias, amores e angústias inerentes à condição humana, romances, contos, crônicas, poemas, biografias… Entrelaçaram as vozes ecoando não apenas a literatura brasileira e portuguesa, mas em diálogo com o mundo, a moldarem sensibilidades e darem forma ao indizível. Isso não pertenceu apenas aos que só viviam das letras. Entre seus membros floresceram médicos que auscultavam a alma humana, historiadores que resgatavam o tempo, filósofos que questionavam a existência, diplomatas que transitavam entre culturas, juristas que poetavam com a mesma paixão com que defendiam causas.

Para celebrar essa caminhada de 70 anos serão realizados eventos, a incluir em 23.05 um concerto da Orquestra Sinfônica de Campinas regido pelo Maestro Júlio Medaglia, que se reverenciará aos ideais que sempre inspiraram a ACL; em 29.05 um Almoço de Confraternização entre acadêmicos, convidados e admiradores das letras. Mais do que comemoração, a ocasião simboliza a continuidade de um legado que atravessa gerações, a reafirmar o compromisso com as letras. No fluir do tempo, a ACL caminha alicerçada na representatividade de seus acadêmicos, na reverência à memória de membros falecidos que protagonizaram a sua história, no engajamento de novos acadêmicos, na abertura de suas portas à comunidade e a jovens para as sessões e saraus literários, rodas de prosa, ciranda de poesias, lançamentos de livros, concursos, recitais musicais, tardes circenses, acesso ao acervo bibliográfico.

Entre os presidentes destacam-se os ativos: o 14º. Pres. Agostinho Tóffoli Tavolaro – 5 biênios 2007 a 2016, exercidos com maestria, o 16º. Pres. Jorge Alves de Lima – 3 biênios 2019 a 2024, a zelar pela manutenção do prédio e fortalecer a parceria com a Educação de Jovens e Adultos – EJA, em participação em eventos literários. No biênio 2025-2026, a 17ª. Pres. é Ana Maria M. Negrão, ombreada aos confrades e confreiras, amigos e parceiros da ACL, por uma certeza silenciosa: a de que escrever é deixar marcas no tempo, dar corpo ao pensar, transbordar o âmago, resistir ao esquecimento.

 Ana Maria Melo Negrão (Presidente ACL)